Eu ia escrever um artigo listando dezenas de ferramentas de IA. Cheguei a começar. Aí olhei pro rascunho e vi o que ele era: uma parede de links com dois parágrafos de explicação cada, o tipo de texto que você salva com boa intenção e nunca mais abre.
O problema era o formato. Artigo é fotografia, e ferramenta de IA muda de semana em semana. Qualquer lista que eu publicasse já nasceria envelhecendo, com link morto acumulando na metade de baixo.
Então troquei o formato: construí o AItag.app. Um diretório vivo de curadoria de ferramentas de IA, aberto, de graça no essencial, e atualizado como parte do meu próprio trabalho, porque eu usei o que listei.
Inventário com slots contados
Todo RPG de sobrevivência ensina isso: quando o inventário tem slots contados, cada item precisa ganhar a própria vaga. Você larga a espada enferrujada porque ela ocupa o lugar da poção. A limitação vira critério.
O mercado de diretórios de IA correu pro outro extremo: dezenas de milhares de ferramentas listadas, tudo entra, e a peneira fica por sua conta.
O AItag roda com o inventário curto de propósito. Poucas ferramentas, escolhidas à mão, cada uma com ficha direta, screenshot e classificação que diz pra que serve e pra quem. Quando tudo cabe na lista, nada foi escolhido. A estreiteza é a curadoria.
Helen organizando a taxonomia de curadoria
Três portas de entrada
A navegação parte de três eixos:
- Função: o que a ferramenta faz (Synthetic Video, AI Music, Agents & Bots...).
- Perfil: quem você é. Tem página pra quem faz vídeo, pra quem programa, pra músico, pra quem só quer open source.
- Staff pick: o selo do que eu uso e defendo.
E tem a For You: recomendações a partir do que você navegou. O histórico fica gravado no seu aparelho, em armazenamento local. O site não sabe quem você é, e nem precisa.
O diretório físico e minimalista de ferramentas
O que é grátis e o que é do lab
O essencial funciona sem login e sem cartão: navegar o catálogo inteiro, abrir as fichas, favoritar e montar suas listas. O favorito fica associado ao seu aparelho, se um dia você criar conta, ele migra junto.
As quests são o tempero: missões pequenas que recompensam a exploração, porque aprender uma área que se move rápido rende mais quando tem uma gamificação por cima.
Já as Receitas, combos de ferramenta mais prompt pra sair com resultado pronto, gastam modelo de verdade a cada uso. Essas vivem no lab, por convite, junto da casa do Sapiens Sintéticos. O critério é simples: o que custa inferência fica atrás da porta, o que custa só curadoria fica aberto.
Por baixo do capô
Pra quem constrói: Next.js no front, Convex no backend, a mesma infra que roda o Sapiens inteiro. Diretório na mesma esteira do resto da casa, então ficha nova, perfil novo e página nova entram sem cerimônia.
Faça o teste: de todas as ferramentas de IA que você instalou nos últimos seis meses, quantas continuam no seu dia? A distância entre as duas listas é o tamanho do problema que a curadoria resolve.
E se alguma sobrevivente sua merece um slot no inventário, eu quero saber qual, fica a vontade para mandar um DM no instagram, eu estarei lá, e sim como humano.
